17/05/2007
18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes. É neste dia que chegará a todas as escolas públicas da Rede Municipal de Ensino de Curitiba e às escolas particulares associadas ao Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR) a campanha Pra Toda Vida - A Violência Não Pode Marcar o Futuro das Crianças.
Cerca de 13 mil profissionais de educação da Rede Pública e duas mil escolas particulares receberão um manual com dicas para identificar se o aluno está sofrendo algum tipo de violência. O manual também orienta o professor sobre como agir caso tenha na sua sala de aula um aluno nessas condições.
A distribuição do material para os professores da Rede Municipal foi feita entre os dias 16 e 18 de maio, durante a realização da semana pedagógica. Já para as escolas particulares, a distribuição começará por Foz do Iguaçu e Cascavel, onde o Sinepe realiza nos dias 17 e 18 o 1º. Seminário de Educação Infantil e Ensino Fundamental - Oeste do Paraná.
O manual aborda ainda a questão legal, pois os professores e gestores das escolas, assim como os profissionais da saúde, são obrigados por lei a denunciar os casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes, sem a necessidade de comprovar tais agressões. “Não cabe ao professor ou ao profissional da saúde reunir provas de que a criança está sendo violentada. Mas é obrigação destes profissionais fazer a denúncia para proteger a criança”, explica a diretora de Relações Institucionais do Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro.
Pra Toda Vida
A campanha Pra Toda Vida foi idealizada pelo Hospital Pequeno Príncipe e lançada em novembro do ano passado para os ortopedistas de todo o Brasil. “Iniciamos o trabalho com os ortopedistas porque nos serviços de pronto-socorro eles atendem muitas crianças com machucados que não condizem com a história de acidente relatada pelos pais ou responsáveis”, explica Ety. Na ocasião, cerca de cinco mil ortopedistas receberam um manual com orientações e participaram de um fórum sobre o tema. Agora a campanha entra na sua segunda fase, atingindo os profissionais da educação. “Num terceiro momento queremos trabalhar diretamente com as crianças”, diz Ety.
No Brasil, os profissionais da educação são responsáveis por cerca de 8% das denúncias de maus-tratos. Já em Curitiba, onde existe uma rede estruturada de proteção, os profissionais da educação geram 31% de todas as denúncias. “É um índice excelente, mas acreditamos que pode ser ainda melhor”, diz Ety. Ela explica que a violência acontece em escalas crescentes. “A criança que chega ao Hospital já passou por vários outros graus de violência. Ela é o reflexo do quanto estamos falhando na proteção das nossas crianças. Por isso queremos sensibilizar os professores, que passam pelo menos quatro horas por dia com as crianças, para que possamos interferir nessa realidade a tempo de salvar nossas crianças”, esclarece Ety.
Parcerias
A campanha Pra Toda Vida está sendo desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe), G/PAC Comunicação Integrada e Tecnodata Educacional.